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segunda-feira, 11 de maio de 2015

A praxe Académica

Estou pela segunda vez no primeiro ano de faculdade, sendo que a minha primeira experiência das praxes foi tão boa, na medida em que os primeiros amigos que fiz foi assim, achei que deveria ir de novo. Na primeira vez, fizemos uns jogos, umas parvoíces, nada ofensivo, equipas, cantámos músicas que inventámos, bebemos, conheci caloiros e veteranos, e tudo decorreu dentro da normalidade. No entanto não consegui ir ao último dia - o "Tribunal de Praxes". Este ano, tentei vir às praxes da nova faculdade, mas por não morar em Lisboa, acabei por não me dar ao trabalho e, como já tinha sido caloira uma vez, já me tinha divertido neste "ritual", não liguei e desleixei-me.
Entretanto, este semestre acabei por decidir dar uma oportunidade e voltei a ir. Escolhi padrinho, fui a um jantar no qual me diverti imenso, conheci algumas pessoas da minha suposta equipa, muito simpáticas e hoje fui ao baptismo. Mas o pior vem depois.
Fui pela primeira vez ao dito cujo "Tribunal de Praxes".
Achei que era algo na "descontra", uma brincadeira (ideia com que fiquei pelo que me contaram
à cerca do ritual, no ano passado). mas rapidamente cheguei à conclusão de que não. Aquilo era levado a sério, e as pessoas iam realmente a julgamento,
Ora compreendo o conceito de julgamento no caso de um "trajado" (como lhes chamam por estas bandas) ter abusado do seu poder, tipo ofender a integridade física ou psicológica do caloiro, submete-lo a uma situação tipo "Meco", mas não. Foram a julgamento por usar uma mala com o traje e por uma brincadeira com flexões... Resumindo e concluindo, achei muito pouca piada, diria, deplorável.
Vamos lá ver, adoro o conceito das praxes, acho muito divertido, quase que como um evento para socializar, para facilitar os caloiros na procura de amizades, para que possam cantar, disputar com outras equipas, picar, beber todos juntos, mas levar tanto a sério a igualdade do traje? Quer dizer, rapazes que têm de fazer a barba, raparigas que não podem ter um gancho, unhas pintadas, que têm de usar tudo na perfeição ou vão a julgamento? Mas qual é a necessidade de levarem tão a sério uma hierarquia inventada por pessoas, que possivelmente se aproveitam do traje para dizerem que são alguém na vida quando sem o traje não passam de o mero comum. Pessoas que quando vestem o traje, vestem também a capa da falta de educação e da antipatia, o colete da omnipotência e cuja única coisa que sabem fazer é gritar aos ouvidos de miúdos, que muitas das vezes são tão fracos de cabeça que  admitem coisas destas? Quer dizer, fazem queixa porque alguém não sabe usar o traje ou porque uma miúda fez 10 flexões e teve 10 segundos em prancha, mas não se queixam de quando lhes gritam aos ouvidos, quando os mandam calar, achando-se superiores? Se uma pessoa é como é, porquê mudar quando veste o traje? Isto deixa-me a pensar que este ritual é para aqueles que não têm personalidade serem superiores a alguém durante três ou cinco anos de vida, pessoas que sem a máscara não são nada e que com este tipo de atitudes sobrepõem aqueles que, como eu, em nada mudam só porque vestem uma traje que faz deles superiores numa hierarquia ilusória...
Antes deste triste episódio, tinha até pensado em trajar, acho bonito, gosto da equipa em que fiquei, tentam que todos se integrem, que todos se conheçam, mas a que custo? Para cumprir um código com o qual não me identifico, onde não há espaço para uma individualidade, para cumprir regras sem sentido nenhum no mundo moderno? Para fazer parte de uma comunidade que leva demasiado a sério um conceito inventado?
Até que ponto não me vou contradizer se vestir a pele daqueles que critico aqui? 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Finaly

Ok, estou num ponto da vida em que ou aproveito ou este ano foi mesmo mandado ao lixo. Começando bem pelo inicio, comecei por não entrar na opção que queria, fiquei em arquitectura cerca de dois meses, depois de mil avisos para não me inscrever, para concorrer à segunda fase, `à terceira fase... Nada fiz, a não ser arrepender-me redondamente de não ter feito o que me mandaram... Fiz uns quantos inimigos enquanto lá estive, nunca percebi bem porquê...
Pensando que teria sorte, assim que cheguei a Santarém arranjei trabalho... Ora sorte, uma ova, fui bem enganada por uma loira corrupta, trabalhei quase um mês para ganhar pouco mais que 70 euros, mais de 8 horas por dia, no qual ainda tinha de pagar o almoço e as deslocações. Gente maluca, graças a Deus que saí de lá... 
A partir daí foi a decadência da minha vida.
Passei Janeiro e Fevereiro em casa, mandei currículos para todo o lado... Não tenho qualificações, não tenho a carta de condução... Estava tão mal que já subia paredes, nada tinha para fazer e a lida da casa nunca foi propriamente algo que me desse prazer e me distraísse da pasmaceira de estar parada. 
Foi então que pensei no voluntariado.  
Quer dizer, não foi bem "foi então que", pois a minha mãe já me tinha dado a ideia, mas eu levei-a um pouco mais longe, e comecei à procura de serviços de voluntariado mais complexos, do que apenas na minha cidade, que honestamente, não oferece muito.
Descobri duas associações, a "AFS intercultural programs" e a "ProAtlântico". Inscrevi-me em ambas.
O serviço de ambas é muito distinto, mas em ambas existe comunicação com pessoas de outros países, algo que me cativa muito, pois adoro conhecer pessoas novas, novas culturas.
O meu papel na "AFS" é receber jovens que venham estudar do estrangeiro para cá, ajuda-los, encaminhá-los. 
Quanto à ProAtlântico, o meu papel não se deve a nada directamente com eles, isto porquê? Bem trata-se de uma associação que apenas permite aos voluntários, serviço num país que não o de residência. Ora esta opção ainda me interessou mais, então fui pesquisar. Percebi que ofereciam intercâmbios europeus, e que tinham ainda a vertente do Serviço Voluntário Europeu (SVE), projectos de longo curso.
Concorri. E concorri a vários, a todos os intercâmbios europeus (não fui aceite em nenhum), e a vários projectos no site do SVE, aqueles que não duravam mais de seis meses, e que obviamente tinham algo a ver com a minha área.
No entretanto, comecei a fazer serviço de voluntariado pela Santa Casa da Misericórdia, com idosos e crianças... Para me ir entretendo. Experiência que me agradou imenso, apesar de alguns contratempos que eu nunca esperei, situação para outro dia.
Fui aceite. 
Eu nem queria acreditar... 
Marquei entrevista com a cara do projecto. Katerina. Disse-me estar super interessada em ter-me como voluntária, explicou-me tudo e no fim disse-me que esperava pela minha resposta. Fiquei super entusiasmada. Estava na hora de mandar o "tiro" à minha mãe e esperar que fosse de raspão. Foi mesmo, resmungou, refilou, não queria, mas apercebeu-se de que não valia a pena e acomodou-se com a ideia. 
Vou para kumanovo, na Republica da Macedónia, durante dois meses, como voluntária, com tudo pago, apenas tenho de pagar 10% da viagem. 
Não podia vir em melhor hora.

Para que se sente como eu... São bons planos. Sempre quis viajar, e fazer algo ao mesmo tempo... Algo de bom. Não me podia sentir mais feliz por estar a uma semana de me ir embora.

Joana Cancelinha Pereira