expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Translate

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O Vestido Amarelo


Lá estava eu sozinha, envolvida pelo som da chuva na janela, pelo som do inverno que atacava a cidade. Tinha a lareira acesa e tapava-me com a manta do cão. Tinha um odor insuportável, mas a minha estava no outro cadeirão e a preguiça apoderava-se de mim.
A casa estava assustadoramente silenciosa, nada se passava, e eu, enroscada na manta nojenta do cão, lá estava, apreciando a melancólica manhã de 4 de Janeiro.
O som da campainha ecoa pela casa, estremecendo nos meus ouvidos, e Isabel, a preta que os meus pais contrataram para andar pela casa a limpar (vadiar), correu apressada para abrir a porta.

- Bom dia minha senhora. Bom dia doutor. Bons dias menino.

Menino? Tinha a aparente visita de um “menino” e andava ai de pijama, sem soutien. Que aspeto hediondo que darei.

- Marta, querida, vai la a cima tomar um duche meu amor, temos a visita de um primo que esteve com os pais no Brasil e veio conhecer-nos, passar por cá uma temporada, mas eu já te explico com o pai. Vai vestir-te. Dá-me um beijo, acabei de chegar.

Primo? Bem nunca tinha ouvido falar de tal pessoa na minha família, veremos.
Depois do meu duche, que me soube muito bem, cheirava a cão que metia dó, fui para o quarto, nua escolher o que vestiria. Um primo novo não se recebe de qualquer forma! Vestido amarelo! Vai achar-me deslumbrante.

- Miguel esta é a Marta, Marta, Miguel.

- Bom dia Marta, sou o filho dos seus tios Manuel e Janaína, não sei se tu lembras eles.

Não respondi, estava absolutamente deslumbrada, que homem Santa Maria! E o seu sotaque meio brasileiro meio português, que lindo, charmoso, olhos verdes, uma barba de sonho, lindo! Absolutamente encantador. Fiquei fora de mim, completamente congelada e embasbacada.

- Vamos dá um passeio Marta, vamos pegar um papo garota. Com licença, tia.

- Vamos claro, com licença, mãe.

______ “______

 

Estávamos apaixonados, primo e prima, com o completo desejo carnal de se terem, mas não podia! Que pecado este, um familiar! Vivia cá a pouco mais de um ano e já para lá de seis meses que ele me beijara. Mas neste dia foi diferente, ele foi diferente.
Os meus pais não estavam em casa, e Miguel chamou me até lá a cima. Fui, com todo o gosto, ver o que se não fosse meu primo seria o homem da minha vida.

- Diz Miguel.

- Chega-te aqui.

- Claro que se passa?

E beijou-me, como nunca. Tentei rejeitar.

- Não fuja Marta agente só vamos foder, os teus pais não estão.

- Miguel estás louco? Não quero nada disso! És meu primo e sou virgem!

- Cê é virgem? Mais que mulher, vem cá!

E tirou a faca do bolso, ameaçando cortar-me, ameaçando matar-me… sei lá. E rasgou-me o vestido amarelo. Penetrou-me a vagina, penetrou-me o ânus, obrigou-me a fazer-lhe sexo oral, a lamber-lhe os testículos.
No fim ameaçou matar os meus pais se lhes contasse e violar-me até ao dia da minha morte.
Nunca mais fui a mesma. Morri.

 

Joana, não quero um desenho perfeito, quero sim que alguém se importe. Pela última vez. Dê o meu exemplo a outras, para que se salvem, para que fujam, para que corram pela liberdade. Escreva S.O.S. no fim do meu desenho e coloque nomes fictícios, mas por favor mantenha a história como a escrevi. Hoje tenho 42 anos, dê-me esperança de que as outras não ficam caladas.

 

Lisboa. Anónimo